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    Itaipu recupera na Amazônia sistema de energia solar que reduz uso de gerador a diesel




    Conjunto formado por baterias de sódio e painéis fotovoltaicos foi instalado junto ao pelotão do Exército de Tunuí-Cachoeira, Estado do Amazonas.

    Uma equipe de técnicos da Itaipu Binacional recolocou em operação, de 21 a 30 de setembro, em uma comunidade da região amazônica, um sistema autônomo para geração e armazenamento de energia solar, composto por baterias de sódio recicláveis e painéis fotovoltaicos. O sistema está instalado junto ao Pelotão Especial de Fronteira (PEF) do Exército em Tunuí-Cachoeira, distrito de São Gabriel Cachoeira (AM), próximo da fronteira com a Colômbia. No local, além dos militares, vivem um grupo indígena da etnia Baniwa.

    O projeto começou a ser desenvolvido pela Itaipu em 2014, em parceria com o Exército Brasileiro. O objetivo é dar segurança energética a comunidades isoladas do País, que não são atendidas pelo Sistema Interligado Nacional (SIN), a partir de fontes renováveis. Espera-se que disponibilidade de energia melhore a qualidade de vida e abra oportunidades de desenvolvimento econômico para as populações locais. Ao mesmo tempo, proteja o meio ambiente.

    Em 2016, uma unidade de demonstração foi instalada no Quartel General do Exército, em Brasília, confirmando a viabilidade do projeto. Em 2018, os equipamentos foram levados para Tunuí-Cachoeira e chegaram a funcionar por cerca de dois meses. Mas depois apresentaram problemas técnicos e ficaram fora de operação. 

    Com o apoio do Exército, os técnicos de Itaipu corrigiram os problemas e religaram o abastecimento da comunidade. A expectativa é que, a partir de agora, a energia gerada nos painéis fotovoltaicos atenda a demanda local, substituindo gradativamente o gerador a diesel (combustível fóssil). Além da redução das emissões de dióxido de carbono (CO²), haverá economia: o valor do óleo diesel que alimenta o gerador é encarecido na Amazônia pelos custos do transporte, feito de balsa, levando dez dias de Manaus a Tunuí, ao custo de R$ 45 o litro. 

    O projeto vai beneficiar aproximadamente 60 militares do pelotão do Exército (alguns que vivem no local com suas famílias) e a comunidade indígena com aproximadamente 200 pessoas, levando mais energia para casas, escritórios, escola, igreja e ambulatório médico, além da iluminação das ruas. 

    Antes do sistema, o diesel conseguia suprir apenas o PEF por oito horas por dia. Agora, o pelotão tem energia 24 horas por dia e a comunidade passou a ter energia das 8h às 24h. Com base na atual demanda de energia (PEF + comunidade), estima-se que o sistema está evitando o consumo anual de 98.550 litros de diesel, o que representaria 256,2 toneladas de CO² (ou 1.790 árvores).

    O diretor-geral brasileiro de Itaipu, general Joaquim Silva e Luna, defendeu o investimento lembrando que a maior parte da Amazônia fica em território brasileiro e que é necessário aliar qualidade de vida, desenvolvimento econômico, defesa das fronteiras e preservação do meio ambiente. “Sem energia, não há desenvolvimento. Esse sistema oferece uma solução com energia limpa, renovável, e tem potencial para ser levado para outras comunidades isoladas do País”, afirmou.

    A iniciativa vai ao encontro do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, que em seu recente discurso na Cúpula Sobre a Biodiversidade da ONU destacou a importância de “combinar sustentabilidade com desenvolvimento e preservação ambiental com inovação econômica", afirmando ainda que “o governo mantém firme o compromisso com o desenvolvimento sustentável e com a gestão soberana dos recursos brasileiros”.

    “A atividade faz parte de um projeto entre a Itaipu e o Exército Brasileiro. Evidencia a importância da união de esforços para implantar novas tecnologias que deem viabilidade para que empreendimentos como esse possam existir, evidenciando a sinergia entre a natureza, tecnologia e desenvolvimento”, completou o diretor de Coordenação de Itaipu, general Luiz Felipe Carbonell.

    O técnico eletromecânico Claudinei Guilherme Hoffmann, da Divisão de Serviços de Itaipu, esteve na localidade em 2017, para a instalação física dos equipamentos, e retornou agora em setembro. Segundo ele, houve melhoria nas condições de infraestrutura da comunidade, como as instalações elétricas da rede pública, que possibilitarão um melhor funcionamento do sistema. Além disso, a expectativa de ter maior disponibilidade de energia animou os moradores, que agora já podem adquirir com segurança equipamentos elétricos, como freezer e geladeira. 

    Hoffmann acrescentou que, na próxima fase do projeto, a ideia é capacitar mão de obra local para a manutenção do conjunto, com apoio do Exército. Por enquanto, já é possível fazer o monitoramento remoto dos equipamentos, em tempo real, com auxílio de uma plataforma Web. “Enquanto o sistema estiver ativo, poderemos ver se as baterias estão carregadas, descarregadas ou quando o gerador é ligado”, exemplificou.


    Como funciona

    O sistema instalado pela Itaipu na Amazônia integra gerador, um banco de 12 baterias de sódio recicláveis e 63 conjuntos de painéis fotovoltaicos com potência de 180 kWpico, operados com apoio de módulos de controle e monitoramento a distância. Os painéis produzem energia suficiente para atender a demanda do PEF, da comunidade indígena e ainda carregar as baterias.

    O sistema é híbrido bidirecional, ou seja, durante o dia, a energia gerada no painel fotovoltaico alimenta a rede e o excedente carrega a bateria; à noite, quando não há luz solar, ocorre o contrário: a bateria abastece a rede. A ideia é que o gerador a diesel funcione apenas como backup.

    Fonte: Assessoria

    Dr Flavio
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